Paulo Barroso "parte a loiça"
Paulo Barroso e Narciso faria, depois de terem iniciado a época em Aver-o-Mar, onde os resultados não foram os mais favoráveis, foram contratados pela equipa maiata do Monte Pedras, equipa que milita na 3.ª Divisão Nacional série B, e ao qual o seu vínculo durou apenas um mês resultando em quatro jogos efectuados.
Resolvemos fazer uma pequena entrevista com o técnico, de forma a sabermos o que correu mal e o que resultou dessa experiência no Nacional de Futsal.
“..conhecimento do nosso trabalho e da forma como trabalhamos..”
futsal-porto-distrital [FPD]: Depois de as coisas não estarem a correr bem no Aver-o-Mar, esperava ser contratado por uma equipa da 3.ª Divisão Nacional?
Paulo Barroso [PB]: Não, sinceramente não! Os treinadores vivem de resultados e estes não correspondiam ao trabalho que estava a ser feito em Aver-o-Mar.
Acontece muitas vezes isso e temos alguns exemplos disso. Para além disso, tanto eu como o Narciso Faria não tínhamos experiência da Nacional, embora nos sentíssemos preparados para tal. Foi o conhecimento do nosso trabalho e da forma como trabalhamos que levou também à nossa ida para o Monte Pedras.
FPD: Mas tem de reconhecer que haveria treinadores com larga experiência em nacionais que não foram contactados em detrimento da vossa dupla equipa técnica?
PB: Sem dúvida! Nestes processos de escolha de treinadores passa sempre por ter vários nomes em cima da mesa e a nossa equipa técnica era uma delas. Numa primeira fase, David Gonçalves foi o escolhido mas face à sua saída ao fim de quinze dias para o Junqueira, fomos contactados pelo seu director desportivo ao qual acedemos.
“custo reduzido…foi preponderante”
FPD: Sentiu que foi uma escolha consensual por parte deles?
PB: Não terá sido pelos factores que já falei, em que nós não teríamos experiencia de nacional, mas por outro lado, o facto de querermos ter sucesso e o factor de custo reduzido em relação a outros treinadores, foi preponderante na escolha final deles.
“..clube desestruturado …..não tem um massagista....tanto presidente como director desportivo eram treinadores”
FPD: Como foram as condições de trabalho nesse curto mês?
PB: Quando entramos no clube sabíamos que o balneário não estava bem, e estávamos cientes das dificuldades em cumprir o objectivo que nos foi pedido e que passava pela manutenção. O que fomos encontrar e para ser breve, foi um clube desestruturado, onde tem um director desportivo, mas não tem um massagista! Onde verificamos que a maioria dos problemas existentes eram entre o plantel e a própria direcção. Verificamos que à imagem de outros clubes as dificuldades financeiras eram enormes o que dificultava a resolução de alguns problemas. Para além disso, tanto presidente como director desportivo eram “treinadores” o que interferia com o nosso trabalho.
“..dirigentes mas que no fundo não sabem ter postura..”
FPD: Foi por aí que as coisas terminaram?
PB: Nós fomos afastados da equipa sem termos sido dispensados oficialmente! O que se passou foi mau demais para as minhas expectativas em relação ao futsal nacional. Pessoas que são apelidadas de dirigentes mas que no fundo não sabem ter a postura certa nem como dirigentes nem como pessoas. Em relação a este episódio não quero falar mais, senão teria muito mais a dizer, mas apenas resumir dizendo que a nossa equipa técnica fez um trabalho sério, honesto e à vista de muita gente, competente. Fomos apelidados de treinadores de nível II mas de “distrital”, mas ao qual eu respondo, que o que fomos representar foi uma equipa com condições inferiores ao distrital. Fala-se muito em “projectos”, mas na realidade não há nada! Não passam de ideias sustentadas por quem se acha dirigente do futsal, baseadas em futuros apoios institucionais que falhando não dão em nada! A minha opinião? Virem-se para a formação, façam algo pelo desenvolvimento do futsal e não o destruam! Para mim não é vergonha nenhuma representar qualquer instituição do distrital, eu não faço essa divisão assim, mas há quem a faça, se calhar pelo facto de ter tido a sorte de ainda não ir lá parar, mas que poderá ser para um futuro muito breve.FPD: O que parecia ser um sonho terminou em pesadelo?
PB: Sim, sem dúvida!
“..aproveitar a época natalícia..”
FPD: Sendo assim estão disponíveis para trabalhar?
PB: Neste momento, estamos tranquilos e a aproveitar esta época natalícia. Caso surja alguma situação, estudaremos em conjunto ou individualmente, essa proposta.
FPD: Obrigado pela entrevista e os desejos de um Santo natal e feliz Ano Novo.
PB: Eu é que agradeço e na voz do Narciso, por esta entrevista. Desejo ao futsal-porto-distrital a continuação deste excelente trabalho em prol do futsal distrital, aos seus seguidores e a toda a família do futsal, umas boas festas com saúde, alegria e esperança! Obrigado!

Sobre esta entrevista, efectuada a um treinador no inactivo mas que treinou no Nacional, alguém no anonimato "só podia" colocou essa questão do Distrital e Nacional.
ResponderEliminarEste portal orgulha-se do seu passado e presente, a entrevista a um agente desportivo que treinou um clube do Nacional e que não se deu bem, não fere de modo algum a essência deste blogue que é o Distrital, primeiro a entrevista é a um treinador meu amigo "não o escondo" mas é um agente desportivo que sempre se entendeu no distrital e esta passagem pelo nacional, só vem demonstrar e dar grandeza aos clubes que estão nos campeonatos distritais que não ficam a dever em nada aos clubes ditos dos Nacionais.
Foi com este espírito que este blogue acedeu esta entrevista ao Paulo Barroso, quem assim não entendeu paciência, mas uma coisa é certa, estivemos, estamos e estaremos a defender os interesses do futsal distrital.
Atentamente
Artur Moreira